Sucesso da segurança do Euro 2004 deveu-se a policiamento não visível

Jornal Publico, Por SOFIA RODRIGUES Sábado, 29 de Janeiro de 2005

A presença de polícia não visível e a atitude amigável mas firme dos agentes em relação aos adeptos de futebol foram a chave do sucesso da operação de segurança do Euro 2004, concluíram investigadores estrangeiros. O modelo de intervenção da PSP durante o Euro 2004 poderá ser adoptado por outros países organizadores de eventos semelhantes.

O perfil de actuação não visível da PSP, ao recorrer a agentes à paisana e a equipas de intervenção imperceptíveis, contribuiu para a criação de uma identidade comum dos adeptos do futebol, independentemente da sua nacionalidade, e incitou ao auto-policiamento entre as pessoas. Esta é uma das principais conclusões do estudo de avaliação da operação de segurança do Euro 2004, apresentado ontem em Lisboa por três especialistas, da Universidade de Liverpool e da Academia de Polícia Holandesa.
O estudo envolveu entrevistas com polícias e adeptos, e acções de observação nas cidades de acolhimento dos jogos, nos dias anteriores à partida. O Euro 2004 registou um nível de incidentes muito mais baixo face ao anterior campeonato europeu de 2000, que decorreu na Bélgica e Holanda, embora neste caso o número de agentes visíveis fosse muito mais elevado, segundo as conclusões do estudo.

A existência de poucos incidentes durante o campeonato é o resultado de "uma abordagem de polícia não visível, prestável mas firme, e não provocadora", referiu aos jornalistas um dos investigadores, Otto Adang, da Academia de Polícia Holandesa e especialista em gestão da ordem pública.

Um dos incidentes de violência mais graves, que resultou na expulsão imediata de 14 adeptos, aconteceu em Albufeira, junto aos bares, onde interveio a GNR. A polícia "não se focou apenas nas pessoas que causavam problemas e os limites não foram estabelecidos desde o início, o que ajudou a alastrar a violência", explicou Otto Adang, sem referir qual a força de segurança envolvida. No entanto, segundo o investigador, foram observados durante o Euro 2004 diversos incidentes em potência que não evoluíram para situações mais graves.

O secretário de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães, revelou que o modelo de intervenção adoptado pela PSP pode ser exportado. O Governo português foi contactado pelos seus congéneres alemão (organizador do Mundial de 2006), austríaco e suíço (Europeu 2008) e sul-africano (Mundial 2010) para partilhar a experiência da organização da segurança.