Seminário capacita policiais para grandes eventos esportivos

Entre os dias 12, 13 e 14 de julho 2011, foi realizado o seminário “Gestão da Ordem Pública em Torneios Internacionais de Futebol”, que tem como objetivo de alinhar o trabalho dos órgãos de segurança com os demais departamentos municipais, estaduais e federais envolvidos na realização de grandes eventos. O evento, realizado pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, aconteceu na Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol). O seminário faz parte do “Projeto Pensamento e Reflexão”, iniciado em 2009 em comemoração ao centenário da Acadepol. Na Academia, foi montada uma estrutura especial, idealizada para garantir aos participantes a sensação de estar diante de um grande torneio de futebol. Na entrada da Acadepol foi criado um túnel cercado por aparelhos de televisão que exibem imagens com sensações de torcedores durante partidas de futebol Além da chefe de Polícia, participaram da mesa de abertura do evento a diretora da Acadepol, delegada Jéssica Oliveira, o desembargador Antônio Jayme Boente, o cônsul da Holanda, Niels Van Dam, o professor holandês, Otto Adang, a professora Jacqueline Diniz, e o tenente coronel do Corpo de Bombeiros, Igor Cunha. Professor Otto Adang, reconhecido internacionalmente por seu trabalho como encarregado na Cátedra de Manutenção da Ordem Pública na Academia Holandesa de Polícia; cientista de conduta interessado em agressão, reconciliação e comportamento coletivo, especificamente no meio em que os indivíduos regulam conflitos e tensão social; especialista que estuda o fenômeno do hooliganismo no futebol e o comportamento das multidões.

Adeptos do Sporting incendeiam Estádio da Luz Como diria o holandês Otto Adang, investigador de conflitos e comportamentos colectivos em estádios de futebol. “Se tratarmos os adeptos como hooligans, eles vão comportar-se como hooligans” Assim aconteceu. CSI- Futebol Noviembre 2011

O que da Argentina merece destaque Exposta a situação, dito isso e mais um pouco, fica a pergunta: tem solução? Ter, tem, mas digamos que as autoridades ainda não descobriram. Um pouco por inércia própria, um pouco por falha nas operações promovidas até aqui. Desde 2004, por exemplo, um especialista no assunto, o holandês Otto Adang, atua na Argentina como fruto de uma parceria entre os dois países. Com a experiência de já ter trabalho em algumas edições de Eurocopas e no auxílio à polícia holandesa no combate aos vândalos, Adang chegou a uma triste conclusão em entrevista ao diário Olé, em 2009. “A solução europeia não cabe na Argentina. Lá, os hooligans estavam concentrados em grupos marginais sem relação com o sistema. Aqui, aparecem vinculados ao negócio de maneira surpreendente”, disse. Por vínculo, o holandês quis dizer direitos econômicos de jogadores, ações de marketing dos clubes, serviços dos mais simples e por aí vai. Faz sentido que World Soccer e Guardian deem mais destaque a esses episódios, não faz? Trivela, 28 de outubro de 2011

Polícia para quem precisa de polícia: contribuições aos estudos sobre policiamento

Caderno CRH
version ISSN 0103-4979
Cad. CRH vol.23 no.60 Salvador Dec. 2010
doi: 10.1590/S0103-49792010000300001
DOSSIÊ

Polícia para quem precisa de polícia: contribuições aos estudos sobre policiamento

Jacqueline de Oliveira Muniz & Eduardo Paes-Machado


Como única ilustração, neste Dossiê, da chamada Sociologia para a Polícia, Otto Adang, psicólogo social e especialista em gestão de multidões, discute um tema que, além de sua relevância para os eventos futebolísticos e festivos nacionais regulares, despertará atenção dos operadores brasileiros da segurança pública, com a aproximação da Copa do Mundo e das Olimpíadas - o policiamento das grandes partidas de futebol. No seu estudo sobre os métodos de policiamento - brandos e duros, de baixo e alto perfil - empregados nos campeonatos europeus de futebol de 2000 e 2004, Adang retoma a contribuição inovadora de McPhail (1991) sobre o comportamento das massas. Ao contrário das teorias tradicionais ao estilo de Le Bon, que explicam esse comportamento apenas por processos internos e assumem que a patologia de alguns contamina todo o grupo, McPhail enfatizou que as multidões não formam uma massa homogênea de indivíduos que se comportam da mesma maneira. Para ele, por exemplo, não está provado que as pessoas reunidas em grupos tenham mais probabilidade de usar a violência do que em outras circunstâncias cotidianas, ou que as multidões manifestem uma maior tendência a se comportar de modo emocional ou irracional.

A "desordem" coletiva só se torna possível graças à proeminência psicológica compartida, resultante de uma dinâmica de interações entre os participantes do grupo, de uma identidade comum. A partir de uma perspectiva psicológica, para que isto aconteça, é preciso que a polícia trate uma multidão inicialmente heterogênea como um todo homogêneo, levando os seus integrantes a se perceberem como membros de uma categoria comum e, por conseguinte, desencadeando um ciclo de tensão e agravando o conflito com a polícia.

Em contraste com isso, Adang sublinha a necessidade de se levarem em conta as diferentes identidades e maneiras de atuar e reagir dos grupos reunidos. No fundamental, é preciso distinguir as pessoas com base no que realmente estão fazendo, e não apenas em função, como é hábito da polícia, das categorias às quais, supostamente ou não, elas pertencem. É precisamente quando alguns membros da multidão começam a exibir comportamentos hostis que se torna importante tratá-los de modo amistoso, mas nem por isso menos firme. Ou seja, é para frear a violência de uns poucos que se deve ser permissivo com a maioria. Para poder qualificar os diversos componentes da multidão, é preciso desenvolver, dentro da vertente de métodos brandos e de baixo perfil, táticas policiais mais diferenciadas do que as que são usualmente empregadas em grandes concentrações de pessoas.

Entendendo a polícia

Um guia para ativistas de direitos humanos, Anneke Osse, Anistia Internacional

Prefácio de Galeno Faé de Almeida:

Os policiais podem violar os direitos humanos, mas, ao mesmo tempo,
cumprem um papel fundamental na proteção desses direitos. O trabalho da
polícia, portanto, está no cerne de uma ampla variedade de discursos de
direitos humanos. A evolução na maneira com que as organizações de direitos
humanos percebem e lidam com a polícia é um reflexo dos desdobramentos
ocorridos no domínio mais amplo dos discursos de direitos humanos: o foco
sobre casos específicos de preocupação, visando aos agentes do Estado, foi
cedendo cada vez mais espaço à busca de parcerias com agentes estatais, com
o objetivo de prevenir as violações de direitos humanos.
As estratégias de prevenção das violações de direitos humanos podem variar
das mais confrontadoras às mais cooperativas. Enfocar a polícia como protetora
dos direitos humanos criará oportunidades para uma maior cooperação na
busca por áreas de interesse mútuo a partir de um entendimento comum de
que os direitos humanos e a atividade da polícia são duas coisas paralelas. Os
direitos humanos não impedem o trabalho da polícia; pelo contrário, abrem o
terreno para a polícia operar e usar seus poderes de modo legítimo. Em vez de
adversários, os policiais e os ativistas de direitos humanos deveriam ser
parceiros que buscam alcançar objetivos semelhantes.
Este Guia fundamenta-se na pressuposição de que as organizações de direitos
humanos cuja abordagem reconheça as preocupações e as realidades da
polícia farão um trabalho mais eficaz do que aquelas que optarem por uma
abordagem de distanciamento, formulando suas críticas a partir de um campo
diferente daquele em que a polícia atua. Certamente, para que a primeira
abordagem funcione, é preciso que a instituição policial seja receptiva às
preocupações de direitos humanos e que esteja aberta a reformas quando essas
forem necessárias.
A Anistia Internacional poderá desempenhar um importante papel no sentido de
fazer avançar os discursos sobre segurança e de apoiar programas de reforma
da polícia com base nos princípios de direitos humanos. Para que esse objetivo
seja alcançado, precisamos ampliar o conhecimento sobre o setor de
segurança e seu funcionamento. Este Guia espera poder contribuir com esse
entendimento.

A estratégia de segurança das cidades-sede da Eurocopa 2008 está no caminho certo, Swissinfo, 12 de Março de 2008




A estratégia de segurança das cidades-sede da Eurocopa 2008 está no caminho certo, mas ainda apresenta deficiências na coordenação e na comunicação com os fãs, diz relatório. Suíça e Áustria farão um torneio de futebol seguro, se melhorarem a coordenação de algumas áreas de segurança, afirma um grupo de especialistas. "As quatro cidades-sede suíças (Basiléia, Berna, Genebra e Zurique) estão no caminho certo em seus prepativos para a Eurocopa", disse à swissinfo o pesquisador de comportamento Otto Adang, da Academia de Polícia Holandesa, durante a apresentação de um relatório sobre o esquema de segurança do torneio, em Solothurn, no centro da Suíça. "E se elas implementarem a estratégia conforme a concepção, não há motivos para que não funcione." A valiação de Adang baseia-se numa auditoria que ele fez juntamente com oficiais de polícia em quatro partidas nacionais e internacionais disputadas entre agosto e dezembro de 2007 na Suíça.

Melhoras necessárias
Os relatórios finais entregues aos responsáveis pela segurança das cidades-sede contêm também sugestões de melhoras. É preciso aprimorar, por exemplo, a estratégia que combina "o diálogo e a contenção de conflitos com medidas de repressão". A implementação da estratégia, "que é muito boa", ainda pode ser melhorada na prática, disse Adang, que é consultor da União Européia de Futebol para operações policiais em jogos de futebol.

Simpatia e determinação
Adang atribuiu um peso especial à perfeita coordenação entre as forças de segurança dos cantões (estados) e dos países participantes do Euro 2008 que apóiam as cidades-sede. É preciso garantir que todas essas forças de segurança, inclusive as privadas, sigam a mesma doutrina, ressaltou. Além disso, é importante uma estratégia única de comunicação com as torcidas, acrescentou. Segundo o perito, as forças de segurança precisam conhecer os hábitos dos grupos de fãs dos diferentes países. Elas precisam saber também como eles reagem diferentemente num "encontro" com a polícia.

Na Copa 2006 na Alemanha e na Eurocopa 2004 em Portugal, a ação simpática mas determinada da polícia deu certo. "É importante que não se trate todos os torcedores como potenciais hooligans e, sim, como pessoas que quer terem uma boa estadia no país. E isso vale para 99% dos visitantes", disse Adang. "A Suíça convidou as pessoas para o torneio. Ela deve, portanto, se comportar como boa anfitriã até o ponto em que os torcedores deixem de se comportar como bons convidados", sugere.

Correções previstas
"Ainda temos tempo para fazer correções", disse Martin Jäggi, coordenador da área de segurança do projeto Euro 2008 do poder público. Na Suíça, porém, não serão disputadas partidas de altor risco, acrescentou.

Os representantes das forças de segurança pretenden implementar as recomendações de Adang e farão treinamentos especiais para tanto, disse o comandante da polícia do cantão de Berna, Stefan Blättler. „Vamos intensificar também a troca de informações com os serviços de segurança privados", anunciou o vice-comandante da polícia de Zurique, Gerhard Lips, que vê a necessidade aperfeiçoar o controle nas entradas dos estádios. Todas as forças de segurança usarão o mesmo unifome, disse o comandante da polícia de Genebra, Christian Cudré-Mauroux. A cooperação com as administradoras dos estádio será melhorada. A polícia da Basiléia planeja disponibilizar mais informações para os torcedores, anunciou Thomas Steinmann, encarregado do esquema de segurança naquela cidade-sede, onde as forças de segurança não usarão os uniformes laranja, inicialmente previstos, para não serem confundidos com os torcedores da Holanda.

swissinfo

Um novo modelo de segurança nos estádios, COXAnautas, 11/05/2006

Estudo que traz nova proposta para a segurança nos estádios europeus teve sucesso na Eurocopa 2004.

Um estudo elaborado por especialistas em comportamento de massas da Universidade de Liverpool e da Academia de Polícia holandesa, denominado 'Low-profile', que teve muito sucesso na Eurocopa 2004, tornou-se referência pela Europa. O holandês Otto Adang, o inglês Clifford Stott e a alemã Martina Schreiber elaboraram uma nova proposta de ação das forças policiais em eventos esportivos. Otto Adang, que acompanha o hooliganismo (movimento dos hooligans) nos estádios europeus desde 1986, iniciou seus estudos com primatas do Zoológico de Arhem. Depois, estudou o comportamento da polícia, finalizando seus estudos ao acompanhar o comportamento das multidões.



A conclusão do estudo é de que o uso de oprissão e da força bruta pode controlar o conflito no curto prazo, mas a tendência é que amplie os conflitos na seqëncia, tanto em tamanho como em intensidade. Para o professor Adang, a existência de poucos incidentes durante a Eurocopa é reflexo de "uma abordagem de polícia não visível, prestável mas firme, e não provocadora" diz o pesquisador.

V SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE O USO DA FORÇA POLICIAL, Salvador de Bahia, 25 de Abril de 2006

Ao passo em que se aproxima de dois séculos de existência, a PMBA busca avançar em termos de modernização e capacitação. Daí a necessidade de dar continuidade ao processo de aprimoramento de suas políticas e modelos de gestão para enfrentar múltiplos desafios. A expectativa é de que capacitações como essa, promovam mudanças de valores, renovação de paradigmas e modernização de métodos e táticas de ação.O evento foi voltado para autoridades públicas, operadores do sistema de justiça criminal, membros de organizações não governamentais no campo dos direitos humanos, funcionários públicos, professores, estudantes, profissionais de segurança pública e demais segmentos interessados no acompanhamento e debate do tema do uso da força policial.As palestras foram proferidas por especialistas nacionais e internacionais, reconhecidos pela excelência nos temas abordados.




O último palestrante do Seminário foi o Profº Otto Adang, da Academia de Polícia da Holanda, que abordou o tema: "Gerenciamento de Multidões: O Policiamento das Torcidas de Futebol na Europa". Na apresentação do seu estudo identificou os motivos que levavam à violência, destacando o que denominou de "Síndrome do macho jovem". Explorou também os estágios de intensificação da violência potencializada pelo uso às vezes indiscriminado de álcool e outras drogas. Detalhando os mecanismos internos e externos de cada grupo de torcedores, por exemplo, e os aspectos da oportunidade e da percepção dos riscos. Neste contexto, afirmou que as polícias podem fazer muito para prevenir a violência mas muito pouco para contê-la. Um dos aspectos interessantes que citou foi a utilização de cadetes como observadores policiais inseridos na multidão, o que permite, muitas das vezes, uma intervenção policial bem focalizada nos causadores da perturbação da ordem e num estado bem precoce da violência, evitando maiores consequências. O palestrante apresnetou seus estudos sobre os sinais prévios que dão origem à violência em locais de grande aglomeração. Afirmou ter capacitado os observadores a estarem aptos a identificar estes sinais. Um dos aspectos mais importantes na fala do Professor foi o trabalho desenvolvido para diminuir a violência causada pelos próprios policiais nestes eventos, em que demonstrou ter havido um processo seletivo mais rigoroso para a busca de um perfil mais adequado. Neste processo, conseguiu qualificar o corpo policial com profissionais que agiam sem preconceitos, de posturas amigáveis, porém firmes e adequadas. Por fim, o Profº Otto ressaltou os estudos para análise do perfil das diversas torcidas participantes da Eurocopa e enfatizou que a ostensividade das polícias nos eventos de grande aglomeração de pessoas é fator significativo para a diminuição dos casos de violência.